124 Berlina Em Abril de 1966, o Fiat 124 Berlina foi apresentado no Salão de Turim. Era um carro de 4 portas cuja principal novidade era o facto de estar dotado de travões de disco às 4 rodas, pouco habitual nos automóveis da sua classe. Era um carro muito equilibrado e seguro e com motores muito vivos.
A Fiat, que já tinha tradição em fabricar automóveis descapotáveis, baseados nos seus modelos de grande série, começou a preparar a versão aberta do 124.
Ferrari 275 GTS Pininfarina foi escolhido para desenhar o novo Fiat descapotável, ficando também responsável pela sua construção. Ao aceitar a encomenda, este consagrado estilista não se limitou a "descapotar" o modelo 124 berlina, mas sim a desenvolver uma ideia de raíz, embora com influência noutros dos seus trabalhos. As principais fontes da sua inspiração foram um estudo para o Chevrolet Corvette, o Rondine, no desenho da traseira e o Ferrari 275 GTS cujas linhas desportivas, puras, simples e harmoniosas inspiraram o aspecto global da sua nova criação.
AS Nasceu então o 124 Spider, um automóvel elegante apesar de sóbrio, desportivo apesar de pacífico, agressivo apesar de dócil, divertido apesar de fiável, enfim, era mesmo um carro possuidor de um charme e um carisma muito próprio que ainda hoje dá felicidade a quem o conduz e faz virar a cabeça a quem o vê passar na rua.
Assim, em Novembro de 1966, foi apresentada a versão descapotável do Fiat 124.
AS A designação oficial de Fiat 124 Sport Spider procurava dar a ideia que o Spider era simplesmente uma versão descapotável do 124 berlina. Mas na verdade era, sem dúvida, muito mais do que isso. Em relação à berlina, o Spider era um carro novo. Toda a sua silhueta de aspecto desportivo, de perfil baixo arredondado e pontiagudo em nada se relacionava com a forma quadrada do 124. Por outro lado, estava equipado com um motor de 4 cilindros de duas árvores de cames à cabeça (Twin Cam), concebido por Aurelio Lampredi, engenheiro que trabalhou muitos anos com Enzo Ferrari na concepção dos seus motores. Esta motorização conferiu ao Spider uma bravura muito superior à da berlina.
Motor Twin Cam O primeiro Fiat 124 Spider tomou a designação de AS. Era um 1400, com 1433 cc de cilindrada com 1 carburador de duplo corpo que debitava 90 cv, com caixa de 4 velocidades ou 5 em opção, permitindo perfomances muito interessantes para a época: 170 Km/h de velocidade máxima e 13 segundos dos 0 aos 100 Km/h. O chassis era muito equilibrado e a suspensão, independente à frente, com eixo rígido atrás, era bastante eficaz. Os travões de disco nas 4 rodas assegurava a eficiência na travagem. Este carro estava à altura, ou mesmo acima da concorrência.

BS

BS1

Em 1968, foram introduzidas algumas alterações no eixo traseiro, tendo sido esta nova evolução designada por BS. Neste ano foi iniciada a comercialização do 124 Spider nos Estados Unidos da América.
Em Novembro de 1969 foi apresentado o BS1. Era agora um 1600 e destacava-se pela adopção de um motor de 1608 cc, geração B do motor Twin Cam da Fiat. Com 2 carburadores Webber verticais IDF de 40mm, debitava 110 cv e era muito brilhante nas subidas de regime. A velocidade máxima era de 180 Km/h e atingia os 100 Km/h em menos de 11 segundos. O Spider passou a ter duas elegantes bossas no capôt, necessárias para acomodar os carburadores, a grelha passou a ter a famosa configuração de favo de abelha, os pára-choques foram alterados, e na traseira, surgiu um símbolo indicativo da cilindrada do motor. O benefício estético geral foi muito conseguido.

CS1

1756cc

Sucesso de vendas nos USA

BS1 Rally

CSA

O 124 Spider 1400 continuou a fabricar-se até 1972.
Em Outubro de 1972, e com o objectivo de tornar o carro mais dócil, mais económico e com menor manutenção, surgiu uma nova versão do motor 1600, agora com 1592 cc, com 1 carburador duplo, que desenvolvia 108 cv. Foi designado por 124 Spider CS. A diferença em relação ao BS1 parecia de apenas 2 cavalos, mas na verdade não era. Pelo facto de as árvores de cames e o carburador não estarem adequados ao novo motor, reduziu-se muito a vivacidade do carro, que tanto tinha agradado no 1608 cc. Esta nova evolução não teve grande sucesso, tendo sido descontinuada, dando lugar ao Fiat 124 Sport Spider 1800, CS1.
Desta vez, foi adoptado um motor de grande potencial, o 1756 cc, a geração C do Twin Cam da Fiat. Consistia na segunda alteração do bloco original da geração A, no que respeita ao curso e diâmetro dos cilindros. Todavia, devido à crise do petróleo existente nessa altura, foi apenas aplicado 1 carburador duplo, ficando a potência pelos 118 cv, o que não permitiu uma grande melhoria em relação às prestações do endiabrado 1608 cc. As versões exportadas para a América eram ainda mais prejudicadas devido às leis anti-poluição, debitando apenas 83 cv.
O Fiat 124 Spider era um verdadeiro sucesso nos E.U.A. e as vendas eram tão boas que em 1975 a Fiat deixou de comercializar o Fiat 124 Spider na Europa e exportou para os Estados Unidos toda a sua produção e a maior parte dos stocks de material mecânico e de carroçaria existentes.
Mas antes disso, a Fiat descobrira uma nova faceta do 124 Spider: a competição no desporto automóvel. Desde 1970 que a Fiat vinha apoiando o Spider 1600 em ralis.
Em Agosto de 1971, a marca de Turim adquiriu a Abarth, pelo que a actividade desportiva ficou ainda mais incrementada, sendo muito positiva a nível de competitividade, tanto no Spider 1600 BS1, como depois no 1800 CS1. Contudo, para ser ainda mais competitivo, era necessário conceber uma nova evolução, mais leve e com melhor comportamento dinâmico. A Abarth e Aurelio Lampredi não demoraram muito a perceber o que deveria ser feito. Surgiu então o 124 Spider Abarth, o CSA Stradale. Esta versão começava por ser, consideravelmente, mais leve devido à construção da grelha, do capôt, tampa da mala e hard-top em fibra de vidro. Em vez dos pára-choques cromados, existiam apenas duas protecções em borracha tanto atrás como à frente, bem como duas entradas de ar para arrefecimento dos travões. Foram abolidos os frisos metálicos.
1756cc Abarth O tampão do depósito da gasolina passou a ser do tipo racing. O Stradale pesava menos 100 Kg do que o CS1. No interior, os painéis do tablier em madeira foram substituídos por alumínio fosco, as bacquets Recaro e o volante revestido de pele asseguravam uma boa posição de condução. O carro tinha um roll-bar que ajudava à rigidez torsional do conjunto. A suspensão foi toda redesenhada passando a ser independente às 4 rodas, o que melhorou muito o carro em termos de tracção e estabilidade. O motor continuava a ser o de 1756 cc, com dois carburadores Webber ITF de 44mm e um colector de escape especial, debitando uma potência de 128 cv. Foi então feito um carro de corrida.

Abarth Grupo 4

CS1 USA

Com esta base, a Fiat decidiu participar no Campeonato do Mundo de Ralis. O 124 Spider Abarth de competição utilizava o mesmo motor de 1756 cc, que debitava, dependendo do seu nível de preparação, entre 170 e 190 cv., tendo o carro recebido várias evoluções a todos os níveis, incluindo na carroçaria.
A partir de 1975, a Fiat só comercializava o 124 Spider nos Estados Unidos da América. Contudo, as normas de segurança vigentes naquele país obrigou a alterações no modelo. Os pára-choques subiram e aumentaram de tamanho, passando a ser revestidos de borracha e incorporando o conjunto de luzes, mínimos e piscas. A altura ao solo aumentou prejudicando o comportamento do carro em curva, devido à alteração do centro de gravidade. O 124 Spider ficou muito penalizado, tanto em termos estéticos como dinâmicos.

 

CSO

 

Em Julho de 1978 surgiu o 124 Spider CS2, com motor de 2000 cc, com 86 cv
e passou a ter disponível uma caixa automática.
Em Julho de 1979 é lançado o 124 Spider 2000 I.E., CSO, com uma injecção Bosch (L-Jetronic), sendo reduzido o consumo enquanto a potência do motor se elevava para 102 cv. Para acomodar o sistema de injecção, as harmoniosas bossas do capôt deram lugar a duas elevações bem mais salientes e bem mais inestéticas.
Pininfarina Spidereuropa Em finais do ano de 1981, a Fiat deixou de comercializar o 124 Spider tendo passado toda a produção para a Pininfarina. Assim, nos E.U. o Spider passou a designar-se por Pininfarina Spider Azurra, DS1. Com o nome de Pininfarina, o 124 Spider voltou então a ser comercializado na Europa com a designação Pininfarina Spidereuropa tendo o motor 2000cc elevado a sua potência para 105 cv. Posteriormente, este modelo recebeu uma versão com motor turbo debitando 122 cv. Na Europa, foi ainda adoptado um compressor Volumex, DSVX, que melhorou a potência do motor para 135 cv. Destes, apenas foram fabricados 490 carros tendo sido, sobretudo, comercializados na Alemanha Bélgica e Holanda
  Em 1985, Pininfarina deixou de produzir o 124 Spider.
Spider Volumex

Aqui terminou a brilhante carreira do 124 Spider. A sua produção ao longo de cerca de 20 anos, o seu sucesso na Europa e em particular no difícil mercado norte americano, provou que as opiniões desfavoráveis dos jornalistas foram injustas, na apresentação do modelo em Novembro de 1966. Julgamos que, ofuscados pelo Alfa Romeu Spider Duetto, não conseguiram discernir a genialidade criativa utilizada na concepção do 124 Spider, uma bela obra prima agora por todos tão apreciada.

O Spider nos rallies Segundo a Fiat, em Portugal foram vendidos cerca de 80 Fiat 124 Sport Spider. Parte deles já desapareceram. No nosso país, a paixão por este modelo foi sem dúvida estimulada pela sua presença nas provas desportivas, quer nacionais quer internacionais, em particular no Rali de Portugal. A sua imagem ficou na retina em muitos de nós o que motivou e ainda motiva o desejo de possuir um 124 Spider. Recentemente têm sido importados da Europa alguns carros, que estão a aumentar o parque existente no nosso país. Ainda bem para todos nós!
   
 
Características técnicas do 124 Spider
   
   
Cilind.
Diam/curso
Aliment.
Potência
Bin/Max
Cx Vel
Vel. Max
                 
 

AS

1433
80x71.5

1 Webber DFH 34

90/6.500
11/4.000
4 (op.5)
170
 
BS1
1608

80x80

2 Webber IDF 40

110/6.400
14/3.800
5
180
 
CS
1592
80x79.2

1 Webber DMS 34

108/6.000
14/4.200
4 (op.5)
180
 
CS1
1756
84x79.2

1 Webber DMS 34

118/6.000
15.6/4.000
5
185
 
CSA
1756
84x79.2

2 Webber IDF 44

128/6.200
16/5.000
5
190
 
CSO
1995
84x90
Injec. elect.
105/5.500
15.3/3.300
5
180
 

Bosch Jetronic

 
Spid.
1995
84x90
1 Webber
135/5.600
21/3.000
5
190
 
Volumex

DCA 36 + Comp.

   

           
         
 
Palmarés Desportivo do 124 Spider (Campeonato do Mundo de Ralis)
         
 
Ano
Prova
Piloto/Navegador
Posição
         
 
1973
Rali Acrópole
Aaltonen/Turvey
 
1973
Rali Polónia
Warmbold/Todt
 
1973
Rali Sanremo
Verini/Torriani
 
1973
Rali Portugal
Pinto/Bernacchini
 
1973
Rali Mil Lagos
Alen/Kivimaki
 
1974
Rali Sanremo
Bissulli/Rosseti
 
1974
Rali Regardless
Alen/Aho
 
1975
Rali Montecarlo
Mikkola/Todt
 
1975

Rali Portugal

Alen/Kivimaki

 
1975
Rali Sanremo
Verini/Rosseti
   
  Neste palmarés falta sem dúvida a vitória no Campeonato do Mundo de Ralis, que seria possível em 1975. Apesar de merecida não se concretizou, devido a mudanças estratégicas e comerciais da Fiat, que passou a dispor do Lancia Stratos, para efectuar as restantes provas do campeonato.
   
O Spider na Europa e nos EUA:
         
Ano
Tipo
Europa
USA
 
1966 - 1972
AS, BS (1438 cc)
12.081
20.246
 
1970 - 1972
BS1 (1608 cc)
6.684
21.222
 
1972 - 1973
BS1, CS (1592 cc)
2.002
8.728
 
1973 - 1974
CS1 (1756 cc)
778
15.960
 
1974 - 1978
CS1 (1756 cc)
0
52.470
 
1978 - 1979
CS2 (1995 cc)
0
16.926
 
1979 - 1982
CSO (1995 cc)
2
32.058
 
1982 - 1985
DS1 (1995 cc)
4.338
3.100
 
1983 - 1985
DSVX (1995 cc)
500
0
 
1966 - 1985
Total
26.387
170.720
   
  A Fiat necessitou de construir, pelo menos, mil carros do tipo CSA, para este poder ser homologado em rally Grupo 4.
  O total de 124 Spider produzidos foi cerca de 200.000.